Tudo sobre o ENEM

Tudo sobre o ENEM

O ENEM – Exame Nacional do Ensino Médio

O ENEM, sigla para exame nacional do ensino médio, foi criado em 1998, e segundo o próprio INEP, tem o objetivo de: “avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania. ” (NA: no fechamento dessa obra, a BNCC do ensino médio não havia sido fechada, e mudanças significativas para a prova não foram anunciadas) Alguns chamam o exame dessa natureza como “teste padronizado” passiveis de critica por uma maioria de pessoas, expondo, principalmente o viés de correção, vejamos o que disse o especialista Flávio Comim ao site da revista Nova Escola, acessado em 10/07/2018 sob o título de: “o que é um professor de qualidade” – “Nota-se que, usualmente, esses testes padronizados avaliam apenas uma pequena parte das habilidades cognitivas trabalhadas pelos professores, estando sujeitos a práticas do tipo ‘ensinando para o teste’ e outros vieses.” Os testes como PISA e PROVA BRASIL transformaram-se em padrão de resultado e analise, e se gera resultado, gera espelho de retomadas e novos direcionamentos, a vontade de mudar e atender novas perspectivas convence mais do que uma preocupação em avaliar todas as competências e habilidades de uma vivência escolar. Os exames servem de tomada de parâmetros, e de que existe um elo no final da corrente que precisa ou não ser reavaliado.

O ENEM AMERICANO E O ENEM CHINÊS

Alunos se preparando para o GAOKAO

Alguns afirmam que o nosso exame nasceu derivado de grandes outros aplicados em nível mundial, como o SAT nos Estados Unidos e o GAOKAO na China, recentemente o professor Ademar Celedônio, diretor de ensino da plataforma SAS, publicou em sua conta do LinKedin sua percepção do exame chinês: “Gaokao é a maior prova de acesso ao Ensino superior do mundo, em número de participantes. O segundo maior é o brasileiro ENEM. Segundo especialistas chineses, depois de sua restauração em 1977, o gaokao já selecionou grandes talentos no país, promovendo o desenvolvimento da China.”

Já pararam para pensar na dimensão global do ENEM? Sermos, em uma perspectiva global, a segunda maior prova de acesso a universidades do mundo, precisamos nos preparar ou não? Essa prova teve seu início bem modesto, pouca adesão, recriado, reformulado, chamado de NOVO ENEM, permanecendo com essa nomenclatura por um tempo, até voltar a ser chamado popularmente de ENEM.

QUAL O OBJETIVO SOCIAL DO ENEM?

A premissa da prova é a de democratizar o acesso à universidade, com medidas exclusivas para esse fim, como por exemplo a isenção da taxa do exame para classes sociais desfavorecidas, como não há perspectiva de reprovação, a sua pontuação lhe dará direito a entrar na universidade nos cursos que possuam aquela pontuação como limite de entrada, tanto o aluno que está fora da escola, como o que está se preparando na terceira série do ensino médio, tem sua chance, claro que para os cursos mais concorridos o nível de estudos tem que ser maior.

O ENEM já alcançou a marca histórica de 3 milhões de inscritos e 2,2 milhões de participantes. Em 2006, estabeleceu novo recorde, com 3,7 milhões de inscritos e 2,8 milhões de participantes, e em sua última edição 6,7 milhões de inscritos se submeteram ao exame, um grande marco na educação brasileira.

Mesmo diante desse crescimento, houve descrédito de algumas universidades já que começaram a aderir por etapas a prova como chave de acesso aos cursos de nível superior, o discurso naquele tempo era o da desconfiança na qualidade da prova, incertezas se iria ou não alavancar, e a própria adesão dos participantes, já que sepultariam o vestibular tradicional. O novo dava medo!

De um exame simples, realizado em apenas um dia, de poucas questões e com pouca importância, o ENEM transformou-se, em uma prova mais longa, corrigida pela TRI , questões contextualizadas e uma redação eliminatória davam o tom do exame. Em alguns estados, nos quais as universidades demoraram a adesão, total ou parcial, as escolas ficaram com suas aulas e metodologias em formato ainda tradicional, passivas e sem preocupação na modelagem do novo processo. Houve discussões por parte de bases e conselhos escolares sobre essa adesão, o governo fez pressão por todos os lados e, ao final, as universidades cederam ao exame, deixando as escolas sem tempo para se adequar, fator que, no final das contas fez diferença, no rush da preparação.

Quando houve a adesão pelas universidades federais ou estaduais, as escolas precisaram de bastante tempo para se adequar, assim como as práticas em educação levam tempo para dar resultados, com o ENEM não foi diferente, precisávamos replanejar nossos currículos, ampliar novas dimensões de ensino e avaliar os resultados pouco a pouco, tempo era o que não tínhamos, já que, para os pais o resultado precisava vir rápido!
Várias escolas saíram a frente, criaram novas estratégias, desenvolveram material didático, montaram estratégias num piscar de olhos, prepararam seus professores, famílias e alunos em tempo hábil, ou recorde, para começar a passear pela lista de colocação do INEP, gerar marketing com os números e comemorar resultados.

Com o passar dos tempos essa importância ganhou corpo, e um exame que se mostrou engolidor do vestibular tradicional, deixou de ser tendência e tornou-se realidade, sendo sim o maior balizador de acesso para as universidades em todo o Brasil, mesmo existindo algumas universidades que não adotem a prova com totalidade, os 6,7 milhões de participantes na última edição já nos dá uma boa resposta.

O QUE O ENEM AVALIA?

O exame nacional do ensino médio, avalia a capacidade do participante de resolver uma situação problema situada em diversos contextos, requerendo uma habilidade retirada das matrizes das 4 áreas do conhecimento propostas, dividindo-se para isso em áreas de conhecimento:

  1. CIÊNCIAS DA NATUREZA E SUAS TECNOLOGIAS;
    1.1 – 8 Competências e 30 habilidades
  2. CIÊNCIAS HUMANAS E SUAS TECNOLOGIAS
    2.1 – 6 Competências e 30 habilidades
  3. MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS
    3.1 – 7 Competências e 30 habilidades
  4. LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS
    4.1 – 9 Competências e 30 habilidades

Junto a essa divisão por área, e com a finalidade de direcionar as questões da prova, testando a capacidade do candidato de mostrar suas habilidades cognitivas (pensar, raciocinar, perceber, tirar informações implícitas do que lhe é dado) foram apontados, 5 eixos cognitivos, também chamados de competências, toda essa teia de camadas de conhecimento são encarregadas de testar a capacidade do aluno de colocar o conhecimento que foi adquirido até ali em prática.

Esses “Eixos Cognitivos” ainda se desenvolvem quando chegamos na Redação, que é eliminatória, e sua correção vai até 1000 (mil pontos) sendo essa, o santo Graal de todos os professores dessa disciplina, essa parte da prova tem uma análise diferenciada por uma banca de corretores, em cada redação individual é analisado:

  • I. Dominar linguagens (DL): dominar a norma culta da Língua Portuguesa e fazer uso das linguagens matemática, artística e científica e das línguas espanhola e inglesa.
  • II. Compreender fenômenos (CF): construir e aplicar conceitos das várias áreas do conhecimento para a compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.
  • III. Enfrentar situações-problema (SP): selecionar, organizar, relacionar, interpretar dados e informações representados de diferentes formas, para tomar decisões e enfrentar situações-problema.
  • IV. Construir argumentação (CA): relacionar informações, representadas em diferentes formas, e conhecimentos disponíveis em situações concretas, para construir argumentação consistente.
  • V. Elaborar propostas (EP): recorrer aos conhecimentos desenvolvidos na escola para elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.

Além desses eixos a redação desenvolve suas próprias competências, necessitando de uma preparação extra.

Em breve vou te atualizar sobre as mudanças que ocorreram em 2017 e o futuro do ENEM.

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